Lula é reeleito; EWZ cai quase 20% em negociação no exterior, segundo o Valor
Segundo o TSE, com 99,95% das seções totalizadas, Lula teve 51,78% dos votos válidos; analistas ouvidos pelo InfoMoney projetam, para o curto prazo, pressão sobre Ibovespa, dólar e juros.

Resultado do segundo turno
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente no domingo (25). Segundo o TSE, com 99,95% das seções totalizadas, o petista recebeu 51,78% dos votos válidos (64.216.109 votos), contra 48,22% (59.806.288) de Flávio Bolsonaro (PL), e a eleição está matematicamente definida.
Segundo o Valor, é a primeira vez desde a redemocratização que um candidato que saiu atrás no primeiro turno vence o segundo. O novo mandato começa em 5 de janeiro de 2027 e vai até 2030.
Segundo o Valor Econômico, garantir a governabilidade será um dos principais desafios do novo mandato, e o PL terá bancada de 28 senadores a partir de 2027, mais de um terço do plenário. A CNBC afirma que o Brasil, sob a liderança de Lula, lidou com piora do déficit fiscal e dívida pública crescente, impulsionados por juros altos, gastos obrigatórios rígidos e estresse de dívida nas empresas.
Reação dos ativos no exterior
Perto das 21h20 de domingo (25), segundo o Valor, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Wall Street, caía 19,63%. Na CME, os futuros de real recuavam 9,22%, e o dólar implícito para a sessão de segunda-feira (26) estaria em R$ 5,50.
O que projetam os analistas para o curto prazo
Segundo o InfoMoney, analistas e pesquisas com investidores indicam que a reeleição deve provocar reação negativa dos mercados brasileiros no curto prazo, com pressão sobre o Ibovespa, alta do dólar e avanço dos juros futuros.
Para Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, o mercado vinha incorporando a possibilidade de mudança na condução da política fiscal, e investidores devem rever essas expectativas. Gabriel Uarian, da Cultura Capital, vê possibilidade de queda superior a 5% do Ibovespa e até risco de acionamento do circuit breaker.
Uma pesquisa do Citi com investidores, feita na sexta-feira (23), mostrou que 79,5% esperavam queda superior a 5% do Ibovespa em caso de vitória de Lula. Para o câmbio, 63% projetavam desvalorização do real acima de 5%.
Na noite de domingo (25), o Bradesco BBI rebaixou taticamente a recomendação para Brasil de overweight para neutra, argumentando que o forte rali eleitoral de outubro deixou menos espaço para ganhos adicionais.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, lembrou que, após as eleições de 2022, a Bolsa recuperou terreno à medida que o governo apresentou medidas fiscais. Para ele, o comportamento dos ativos em 2027 dependerá principalmente da condução da política econômica e da negociação com o Congresso.
Impacto no Brasil
Nas projeções de curto prazo de analistas ouvidos pelo InfoMoney, um dólar mais alto frente ao real pode favorecer exportadoras, enquanto juros futuros em alta podem pressionar setores como varejo e construção. Segundo o Citi, a trajetória fiscal segue como principal fator de precificação dos ativos domésticos, o que pode afetar o Ibovespa e a curva de juros.
Fontes
- TSE: Resultados — Eleições 2026, 2º turno, Presidente
- CNBC: Brazil's Lula wins presidential election in runoff vote
- Valor Econômico: Ativos brasileiros sofrem duras perdas no exterior após vitória de Lula
- InfoMoney: Como os mercados vão abrir nesta segunda após a reeleição de Lula?
- Valor Econômico: Lula é reeleito presidente da República
Redação Dinheiro Corrente
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